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Em
15 de janeiro de 1888, quatro meses
antes da Lei Áurea (13/05/1888), a
Câmara de Piraju “decretou” a abolição
da escravatura no município. Acolheu
indicação do vereador Benedicto da
Silveira Camargo, pai de Joaquim Ottoni
Silveira Camargo, “Quinzinho Camargo”,
jornalista que por três vezes comandou o
destino da cidade.
A medida foi aprovada com o voto de
desempate do presidente da Casa, o que
demonstra ser o tema bastante polêmico
na época. Os vereadores Major Mariano
Leonel Ferreira, Tenente Coronel Gustavo
Pinheiro de Mello e Dautro José Teixeira
Machado foram encarregados de fiscalizar
sua execução.
Na exposição de motivos, Benedicto
Camargo argumentou ser a “idéia
predominante no País”, ressaltou o
“diminuto número de escravos existentes
no município” e que tal fato muito viria
“honrar a municipalidade”.
Como “profeta”, percebe-se, ele não se
deu muito bem. Decorridos 120 anos, a
data, que já se cogitou fosse incluída
no calendário de comemorações cívicas do
município, é pouco lembrada. A maioria
dos pirajuenses desconhece ou não
valoriza seu importante significado.
“Resta-nos um consolo”, diz o pirajuense
Wilson Alves Ferreira: “o racismo aqui
quase não é sentido, talvez pela
consideração que essa parcela de nossa
comunidade merece desde aquela época”.
Maria do Pito (“pela sua
vivência diante da escravatura e pelos
sólidos princípios herdados dos
antepassados”), Fernete
(“dono de fina educação e carisma
especial, incentivador do futebol e
garçom selecionado para eventos
importantes”), Sebastião Procópio
(dono de apreciável cultura artística,
especialmente na área musical),
Chupeta (“rei da bateria nos
tempos áureos da música em Piraju”) e
tantos outros, são lembrados com
saudades. O centenário e popular “João
Gato” mereceu homenagem póstuma,
ao ser retratado, com grande perfeição e
carinho, pela artista plástica
pirajuense Diva do Val Golfieri. Segundo
ela, “foi uma homenagem que prestei à
raça, através de uma pessoa humilde, mas
muito honrada e muito trabalhadora”. O
quadro foi doado à Câmara Municipal e lá
ocupa lugar de destaque.O decreto de
15/01/1888 revela um outro aspecto,
também esquecido e não menos importante:
a preocupação de seus vereadores com
causas de real importância para a
comunidade e mesmo para o País. Isso,
certamente, contribuiu para a posição de
destaque que Piraju ocupava no cenário
político e econômico da Nação.
Foto:
Quadro de Diva Golfieri "Homenagem à
Raça" |