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Rio Paranapanema

 

Consolidar o turismo como motor de desenvolvimento socioeconômico tem sido uma das metas do poder publico descentralizado pelo mais de cinco mil municípios Brasileiros. Esta afirmação não padece de nenhum exagero, pois dificilmente há de se encontrar um prefeito que, em seu programa de governo, não tenha incluído essa atividade como uma das opções de aquecimento da economia local. E há certa lógica em tal pretensão: na maior parte das vezes, é inquestionável a vocação dos municípios para o turismo, principalmente na perspectiva de seus bens matrimoniais de caráter ambiental, cultural ou paisagístico.

           É o caso de Piraju e de vários municípios da região do Paranapanema médio-superior. A cidade compõe um cenário urbano notável: a forma de apropriação dos espaços, a presença de um rio de águas limpas cortando o perímetro urbano e uma topografia com feições peculiares são elementos que provocam representativa identidade paisagística. Se, na cidade, os arranjos de responsabilidade humana assumem caráter decisivo, na zona rural os dotes naturais dão o tom mais importante. Independentemente, na cidade ou no campo, a qualidade de vida é o quesito complementar. Resumindo: do lazer contemplativo às atividades lúdicas embasadas no meio ambiente e na paisagem, tudo o que se refere ao patrimônio da comunidade é a presença marcante.

           Em uma cidade como Piraju, o patrimônio cultural, ambiental e paisagístico é a mola propulsora de qualquer iniciativa, quando se fala em turismo. E, neste âmbito, o patrimônio arqueológico, entendido como bem de uso especial, comum ao povo, inclui-se nessa expectativa, marcando significativo tom de identidade e diferenciação. De fato, o patrimônio arqueológico pré-histórico e histórico existente no território de Piraju é dos mais importantes do país.

 


 

 

 

São sete quilômetros do velho Panema, como os habitantes ribeirinhos o chamam, com lagos, remansos e corredeiras de tirar o fôlego, que, aliás, foram cenário da segunda etapa do Circuito Brasileiro de Canoagem Freestyle, da Copa Brasil de Canoagem Slalom, e a terceira etapa do Campeonato Paulista que aconteceram em Agosto.

Ao percorrer o trecho, os visitantes desfrutam de lindas paisagens do rio, ladeado por matas ciliares e privilegiada companhia de várias espécies de aves, como Martim-pescador, Coquinho, Biguás, Frangos-d’água, Saracuras três por ters e Garças e, com sorte, se pode avistar em terras pacas, Quatis, capivaras e macacos.

 

 

Muito antes de o conceito de pesca esportiva existir, esse pedaço do Paranapanema já era habitado por um dos dois peixes mais cobiçados pelos adeptos dessa modalidade de pesca: o saltador e briguento Dourado. Daí o nome da cidade ser Piraju, que significa ‘peixe-amarelo’ em guarani, numa referencia a grande quantidade de dourados que existia ali. A partir de 1958, o rio começou a ganhar novos contornos com a instalação de usinas hidrelétricas. A primeira foi a de Salto Grande e, passado quase meio século, hoje são 10 usinas em operação nos seus 930 quilômetros de extensão, restando pouquíssimos trechos de rio natural, mais ainda capazes de proporcionar grandes emoções para o praticante de pesca esportiva. O trecho do Paranapanema menos tocado pelo homem conserva varias espécies de peixe. ‘Os pescadores que vem até aqui estão interessado em determinados peixes que estão ameaçados de extinção no Estado de São Paulo, como é o caso do dourado’, conta João Kleber Dealis, guia de pesca esportiva e presidente da ONG Ambientalista Teyquê-pê, sediada em Piraju. ‘Mais não é só o dourado que os atrai’, diz Dealis. Esse trecho do Panema tem outras espécies consideradas de extrema esportividade, como o piapara, a piracanjuba, o pacu e o surubim. ‘ De Novembro a Fevereiro, no período da desova, essas espécies se movimentam bastante entre as barragens de Piraju e de Chavantes, pois necessitam de água ligeira para produzir hormônio de reprodução. Já no Inverno eles preferem os poços profundos de leito pedregoso, locas e cavernas’, orienta o guia de pesca e ambientalista Miguel Pereira, que nos últimos cinqüenta anos observa as mudanças da Fauna e Flora ocorridas no Paranapanema. Conforme os guias de pesca, o dourado só conseguiu sobreviver no trecho justamente porque eles oferecem águas rápidas. ‘ É o desafio que a caba trazendo as pessoas para cá’, diz Dealis.

 

 

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