Impactos sociais e ambientais que os pets provocam

ARTIGO LUIZ FERNANDO TAVARES - EDIÇÃO DE 16.01.2022


As atividades humanas provocam vários impactos ambientais e sociais. Uma que quero destacar aqui, especificamente: o hábito de termos animais de estimação. Esse hábito não é novo. Nossos ancestrais utilizaram muito desta relação, em especial, para a caça e proteção de territórios, porém hoje podemos destacar o fator afetivo que os pets proporcionam.

Porém, a recente informação apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatístico (IBGE) da existência no Brasil de mais de 54 milhões de cães e de 24 milhões de gatos chega a ser preocupante. Na verdade, saber que a população de cães e gatos é maior que a soma de todos os rebanhos de animais do Brasil deveria chamar a atenção, em especial pelos impactos que isso produz, além das considerações ambientais, sociais e éticas.

Cachorros e gatos são essencialmente carnívoros e o impacto da produção do que eles comem e usam é um fator significativo para o aquecimento global. Um trabalho neozelandês revelou que criar um cachorro de tamanho médio usando rações de marcas conhecidas tem uma pegada ecológica de 0,84 hectare por ano para produzir o que necessitam em termos de carne e cereais. Os gatos, segundo o mesmo estudo, requerem 0,15 hectare por ano. As cifras parecem pequenas, mas existem boas razões para pensar que os 54 milhões de cachorros e 24 milhões de gatos do país impactam o ambiente consideravelmente.

Entretanto, cachorros e gatos ocasionam outros impactos. Os cachorros soltos e famintos são um sério problema para a fauna silvestre. Os prejuízos ocasionados pelos cachorros soltos nas ruas das cidades não necessitam serem lembrados. Eles espalham o lixo, sujam as ruas, provocam graves acidentes de trânsito e eventualmente mordem transeuntes. E os gatos caçam por esporte, não por fome, assim alimentá-los bem não resolve esse problema.

Muitos animais não estão nas ruas por opção, mas pela irresponsabilidade humana. Sim, muitos abandonam de maneira irresponsável tais animais. Porém, muitos, nem se quer imaginam como são responsáveis por esses dados. Por exemplo, um pet macho, não castrado, poderá cruzar com fêmeas abandonadas que terão mais filhotes nas ruas.

Claro que esse aumento na população de pets não é culpa dos animais, e muito menos uma indicação para que as pessoas pararem de ter seus companheiros peludos. Mas é possível fazer com que esses gastos de recursos naturais diminuam, afinal, boa parte deles não são adequadamente cuidados ou são martirizados, acorrentados, privados de alimentação e cuidados médicos, sem falar naqueles que são abandonados à própria sorte. Sendo assim, a castração é uma das medidas mais importantes para controle populacional de cães e gatos. Os efeitos comportamentais da castração também são bastante importantes. Cães e gatos castrados tendem a ficar mais calmos, caseiros e menos agressivos. A cirurgia pode reduzir o hábito de fugir e de urinar pelos cantos.

Por isso, entender as consequências ambientais e sociais da proliferação desses animais e as responsabilidades dos que assumem um bichinho de estimação são fundamentais. Cães e gatos se converteram em importantes elementos terapêuticos ou antidepressivos para todos nós. O amor não tem regras, nem precisa de justificativas. Simplesmente existe.